Páginas

Minhas Redes Sociais

terça-feira, 24 de março de 2015

POR QUE PRECISAMOS CONHECER A FILOSOFIA?

Leia a tira em quadrinhos abaixo de Mafalda:



MAFALDA. O que é Filosofia. Disponível em .

“Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência.”
 Aristóteles

Como vimos na tira em quadrinhos acima, do escritor argentino Quino, Mafalda faz um questionamento para o seu pai que o deixou confuso, fazendo-o pesquisar e estudar muito para tentar encontrar uma resposta sobre o que é a Filosofia. O que é interessante nesta tirinha em quadrinhos é que todos nós, em algum momento de nossa vida, seremos desafiados a entender o que é a Filosofia. Contudo, por já ser filosófica, esta não é uma questão simples de ser compreendida ou respondida, como percebeu o pai da Mafalda.
A compreensão sobre o que é a Filosofia não pode acontecer sob uma única ótica interpretativa emanada de um conceito de verdade absoluto. Mas, o entendimento que seja a Filosofia só acontece quando a entendemos por meio de múltiplas perspectivas de compreensão desta forma de conhecimento.
Ora, agora, você pode estar se perguntando: se temos múltiplas possibilidades de responder o que é a Filosofia, então não teremos nunca uma resposta e uma compreensão sobre o que é este tipo de conhecimento, uma vez que conhecer alguma coisa é poder ter uma resposta verdadeira, única, absoluta sobre as coisas e conhecimentos?; ou, ainda, como distinguir a Filosofia de outras formas de conhecimentos científicos, uma vez que todo conhecimento é pautado pela busca de um conhecimento verdadeiro? Bem, a princípio podemos incorrer neste tipo de confusão. Mas não é bem assim!

Vamos entender isto melhor no exemplo a seguir. Se reunirmos várias pessoas com maior ou menor afinidade em relação à Filosofia (teólogos, filósofos, artistas, cientistas, pessoas comuns, entre outras) e fizermos tal questionamento a elas, certamente, teremos muitas possibilidades de respostas à questão, ocasionadas pelas perspectivas culturais das quais formam cada uma destas pessoas. Um teólogo, a entenderá à luz de concepções que fundamentam a sua crença religiosa; um filósofo a entenderá segundo a orientação filosófica da qual tem mais afinidade; um artista a perceberá conforme as implicações existenciais e artísticas de sua obra; o cientista a deduzirá como princípios e orientações lógico-metodológicas para as suas investigações; e o homem comum a intuirá como forma de consolidar pensamentos e crenças cotidianas. Todavia, mesmo diante destas múltiplas interpretações sobre o que é a Filosofia, todas expressarão a importância da Filosofia como uma das prerrogativas fundamentais do ser humano, requerendo de todos nós que possamos compreendê-la como a busca humana racional e incansável pelo conhecimento.
Deste modo, podemos sim ter uma resposta do que é Filosofia, mesmo diante da multiplicidade de interpretações, quando entendermos a sua importância para a constituição dos saberes e da vida como um todo. A Filosofia, neste sentido, poderá ser compreendida como um modo de “especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores [...]” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 06), sem a pretensão de resolver tais assuntos ou questões, mas sugerindo novas questões e problematizações, estimulando a análise, reflexão e a crítica sobre os saberes humanos. Ou seja, a                                                                                                            
Filosofia é uma busca incessante pelo conhecimento do conhecimento, pelo conhecimento pensado pela humanidade, pelos saberes que constituem a realidade humana.

Ora, como sabemos, o ser humano é o único animal da face da terra que é racional, como bem disse o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.). Por ter a predisposição à racionalidade, a pensar sobre os acontecimentos que fazem parte da sua vida, o ser humano é, também, o único animal que consegue pensar em termos de passado, presente e futuro. Ou seja, todos nós podemos rememorar nosso passado, lembrar de nossa infância, juventude, dos amigos que há muito tempo não encontramos, dos momentos felizes que passamos e dos problemas que fizeram parte de momentos de nossa vida.  
Podemos, também, pensar o presente para que possamos viver de forma saudável, realizar bons negócios, nos divertir, resolver problemas do dia a dia, viver melhor. Da mesma maneira, podemos pensar sobre o futuro, planejando melhorar de vida, comprar um carro, uma casa; projetando novas fases de sua vida como concluir um curso, fazer uma faculdade, encontrar um novo emprego; ou criando novas possibilidades para a vida produzindo novos equipamentos tecnológicos, encontrando a cura de doenças, propondo novos modelos de arquitetura, entre outros.
Pensar, portanto, é uma capacidade humana que nos faz criar múltiplas possibilidades de saberes para a vida humana. Mas, será que o simples fato de pensarmos sobre o presente, o passado e o futuro já nos predispõe à condição de sermos filósofos? O que é ser um filósofo? Ou ainda, a que tipo de conhecimento se propõe a Filosofia?
Bem, entender que o ser humano é um animal racional nos faz ir de encontro ao fato de que todo ser humano nasce com a capacidade do filosofar. Imagine uma criança quando começa a dar seus primeiros passos, a expressar suas primeiras palavras, a se encantar e admirar com o mundo que está à sua volta. Logo começam a surgir interrogações, questionamentos que são interpelados aos adultos que estão à sua volta: o que é o mundo?; como uma planta nasce?; por que o céu é azul?; por que as formigas andam atrás umas das outras?; onde estão as pessoas nas imagens da televisão?; por que ….?; como ….?; onde ….? Sempre que percebemos uma criança inquieta e fazendo perguntas que nós adultos já não o questionamos, há bastante tempo, estamos diante de um fenômeno humano que é o fato de que a criança está exercitando seu espírito filosófico, questionando sobre as coisas, os fatos, os fenômenos que estão à sua volta, capacidade esta que, nós adultos, perdemos por nos conformarmos com respostas prontas, acabadas, verdadeiras e absolutas sobre estas mesmas coisas, fatos e fenômenos.
Neste sentido, podemos entender a importância de se compreender a Filosofia como sendo a capacidade que o ser humano tem, independente de sua idade, condição de vida, situação econômica, filiação política ou religiosa, de analisar, refletir e criticar todas as coisas, fatos e fenômenos que estão à sua volta. É a capacidade de olhar de forma diferenciada, de suspeitar e desconfiar de todas as respostas prontas, verdadeiras e absolutas que nos oferecem como respostas únicas sobre os acontecimentos, a vida e o mundo que está à nossa volta. É a possibilidade de duvidarmos, pensarmos e agirmos no mundo por meio da atitude filosófica: a capacidade de enxergarmos o mundo de forma analítica crítico e reflexiva, em uma busca incessante em direção ao saberes dialogados, compartilhados e aceitos, provisoriamente, como possibilidades explicativas de um espaço e tempo nas sociedades. Contudo, o fato de caminharmos em direção à atitude filosófica, de vislumbramos o mundo com o espírito filosófico, não nos coloca na posição de filósofos, uma vez que para sermos filósofos necessitamos de métodos de investigação filosófica precisos, rigorosos e uma sistematização do pensamento que faz com que o filósofo discuta as grandes questões fundamentais para o conhecimento e a vida humana. 
Para tanto, o verdadeiro filósofo passa a compreender que a Filosofia é conhecimento e que há uma distinção entre a Filosofia e a Ciência, uma vez que, mesmo que ora ou outra se ocupe do mesmo objeto de conhecimento das ciências, “[...] é pelo objeto, pela matéria ou assunto de que se ocupa, que a Filosofia, para ter existência própria e se legitimar, se há de distinguir” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 12) das Ciências. Se às Ciências “[...] cabe, como objeto, a realidade universal, isto é, o universo e seu conjunto de ocorrências, feições, circunstâncias que envolvem e também compreendem o Homem [...]” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 13), à Filosofia cabe, como objeto, o conhecimento do conhecimento, buscar compreender diante da realidade universal “o que vem a ser o fato ou o ato de ‘conhecer’; e como se realiza esse fato, qual a sequência – sua gênese, seu desenvolvimento, e seu desenlace; [...] como se apresenta e se configura na sua conclusão como corpo de conhecimentos para o qual o processo afinal se dirige e em que se torna” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 16). Portanto, a Filosofia proporá, como Epistemologia (Teoria do Conhecimento), ultrapassar todo o conhecimento ordinário (senso comum) e todo o conhecimento em geral da Ciência, que tem por objeto as feições e ocorrências do Universo que envolvem o Homem e de que ele participa, se prestando à investigação do próprio conhecimento, do conhecimento de tais feições e ocorrências, para no contexto do processo cognitivo humano, chegar a seu fim primordial: o de conhecer a função e constituição essencial da natureza humana e de determinar e orientar devidamente o comportamento do ser humano nas sociedades.
Por isto, é importante que todo ser humano entenda e aprenda o que é a Filosofia, a fim de que tenhamos conhecimentos sobre a própria natureza humana e a maneira como o ser humano vive e se comporta no meio social em que está engajado. Se não for por este motivo, seja para que tenhamos conhecimento do conhecimento e não nos deixemos guiar pelas imposições alheias, pelas verdades absolutas que massificam o ser humano e o impede de realizar a única coisa que o caracteriza e o distingue dos demais animais: a capacidade de pensar e criar novos conhecimentos. 
Mas como o ser humano descobriu esta capacidade analítica, crítico e reflexiva de conhecer o conhecimento? O que, com este novo posicionamento intelectual, mudou na história dos seres humanos? Como podemos agir filosoficamente e superamos as condições de massificação que são impostas aos seres humanos ao longo de toda a história? Estas serão questões que veremos nos próximos textos.


Octavio Silvério de Souza Vieira Neto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

BLOG FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO E PÓS-MODERNIDADE ATINGE A MARCA DE MAIS DE 100.000 VISITANTES EM 2015


Olá pessoal,

Espero que todos estejam bem!

O ano de 2014 foi decisivo para o Blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade, mesmo tendo sido um ano tumultuado o que me impossibilitou de promover um maior contato com vocês, caros leitores. Mas, fiquei muito feliz, por constatar que, nas últimas semanas de 2014, já havíamos atingido a marca de mais de 100.000 acessos ao site, número este que está se consolidando como uma marca de crescimento constante no Blog: hoje, há apenas 28 dias do início do novo ano,  já atingimos a marca de mais de 103.720 acessos (veja total de visualizações do blog, ao lado), o que demonstra que estou no caminho certo e tenho agradado nossos leitores. 

Todavia, neste ano de 2015 temos muitos desafios e novidades para vocês! 

Uma delas é a proposta de um novo layout do blog mais limpo, com informações mais precisas, acompanhadas  de uma perspectiva profissional que que marcará uma nova faze do blog com planejamento de publicações, ações de marketing digital mais agressivo e ações de marketing de conteúdo, para que o leitor fique à vontade no blog e se torne nosso parceiro de produções. Esta será a segunda proposição para 2015, com a abertura deste espaço de produção e discussão do conhecimento para que profissionais interessados nas temáticas da Filosofia da Educação, da Educação e da incorporação ao currículo escolar às tecnologias, possam publicar suas ideias, pesquisas e contribuições no Blog. Para tanto, estarei disponibilizando na aba contatos, um formulário em que os interessados possam nos contatar e conhecer as diretrizes para a publicação no Blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade. Acompanham estas ações a implementação de espaços de maior comunicação com o leitor, como o feedback de comentários, os fóruns de discussão dialógica sobre temáticas apresentadas e discutidas no blog, o Café Filosófico e o retorno da TV Filosofia.

Outra novidade que estamos implementado (com data marcada para a inauguração até o fim de fevereiro de 2015) é o projeto profissional Mediação Online Startup Blog Brasil  que se originou no final de 2014 e está tomando corpo agora em 2015. O projeto consiste em uma Startup com a missão de capacitar gestores educacionais, coordenadores pedagógicos e educadores, por meio de método e estratégia pedagógica inovadora, possibilitando o surgimento de novas metodologias e procedimentos para a prática educacional cotidiana que integre o currículo às tecnologias e potencialize o processo de ensino e aprendizagem na educação brasileira. 




No site Mediação Online o visitante encontrará (neste primeira fase de implementação) Soluções em Formação Tecnológica Educacional como Cursos Online Gratuitos, Cursos Livres Certificados, Consultoria em SoluçõesTecnológicas Educacionais e Consultoria Online Gratuita. 

Uma das primeiras ações do site Mediação Online é a realização de uma Pesquisa de Marketing Educacional  que tem como objetivo mapear a relação do educador com as tecnologias e como estas estão sendo integradas na escola (acesse o link clicando no nome da pesquisa, participe e compartilhe). 

Bem, espero que com estas ações possamos dar um tom profissional ao Blog, além de podermos nos comunicar melhor, criando espaços de novas possibilidades educativas que se tornarão efetivas no chão da escola. 

Não deixem de visitar o blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade e o site Mediação Online, se inscreverem em nossas Newslleter e aproveitar todas as novidades que temos para vocês no ano de 2015.

Até breve!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Conversas Sobre o Modo de Produção Capitalista - Ano 3: Sociologia da Educação (Curso de Pedagogia FACED/UFJF em setembro de 2014)

Assistam aos vídeos abaixo



Olá pessoal,

O texto que lemos e os vídeos que assistimos na semana passada são muito interessantes, não é mesmo?

Gostaria de lhes dizer que gostei das reflexões que apresentaram em nossa primeira discussão sobre a Sociologia da Educação. Mas, penso que ainda faltaram algumas dicas importantes para que possam obter a compreensão da temática que estamos estudando. Por isto, vou tecer algumas considerações, a seguir.


Bem, como todas(os) vocês apontaram, a Sociologia é uma ciência que estuda a sociedade, a vida social em suas relações históricas, políticas, culturais e econômicas, e, por isto, tenta compreender as ações dos homens nesta mesma sociedade capitalista. Ou como aponta Tozoni-Reis (2010, p. p 01) "[...] a Sociologia preocupa-se em debater conceitos e teorias que, para explicar a vida social, as relações sociais, teorizam e apontam ações de reprodução ou de transformação das relações sociais capitalistas." Vocês, portanto,  tem razão ao referirem-se à Sociologia desta maneira.

Contudo, é importante que seja associado às suas interpretações sobre a Sociologia, as circunstâncias pelas quais a Sociologia se situou nesta campo de discussão, entendendo que  o seu surgimento, coincidindo com o surgimento do capitalismo como forma econômica, política e social de organização da sociedade moderna, acontece marcado por uma condição particular: a de que, no momento em que se pretende como ciência que dê conta de explicar o fenômeno social capitalista, como explicação da vida em sociedade, assume para si um caráter contraditório, uma vez que,  "surge para estudar e explicar o capitalismo, ora defendendo-o e produzindo conhecimentos para aprimorá-lo segundo a perspectiva capitalista, ora criticando-o e produzindo conhecimentos para superá-lo, transformá-lo." (Ibidem).

Ora, entendendo a Sociologia desta forma é que poderemos compreender e situar os teóricos da sociologia, como apresentamos aqui os três autores clássicos da Sociologia, nas diferentes Sociologias, a saber, as Sociologias Conservadoras (Durkheim), que, tendo como a sociedade feudal (pré-capitalista) como parâmetro de reflexão, "[...] referem-se a um sistema social erguido sob um sistema rígido e imutável de privilégios de determinados grupos sociais" (Ibid, p.04); as Sociologias Reformistas (Weber) que referem-se "[...] ao aprimoramento do sistema capitalista. Inicialmente, esse aprimoramento tinha como base os princípios revolucionários burgueses de igualdade, liberdade e fraternidade [...]" (Ibidem);  e as Sociologias Revolucionárias (Marx) que pautam-se "[...] pelo posicionamento contrário à reprodução do sistema capitalista, um sistema social hierarquizado, de privilégios, cuja origem possa ser conservadora ou liberal, defendendo a transformação desta forma de organização capitalista da vida social." (Ibidem). Diante deste fato, é que podemos compreender o caráter diverso da Sociologia que “[...] com seus dilemas e determinações, como forma de conhecimento historicamente situada, isto é, localizada numa formação social contraditória que não pode produzir um autoconhecimento unívoco” (FORACCHI; MARTINS,apud TOZONI-REIS, 2010, p.01), não se resume a uma única forma de explicar o fenômeno sociológico e sua relação com modelo de organização da sociedade capitalista.

Desta mesma maneira,  poderemos compreender a Sociologia da Educação como sendo um ramo da Sociologia que compreende os aspectos sociológicos da educação, entendendo-a como fenômeno social que se manifesta no capitalismo de forma integradora e contraditória e,  por isto, apresenta uma diversidade de explicações acerca da educação e sua relação com o capitalismo em função das diferentes Sociologias da Educação. Ou seja,  a Sociologia da Educação entenderá que 


Esse fenômeno cultural, de apropriação de conhecimentos, comportamentos, valores, símbolos e signos produzidos pelos grupos sociais, chamado genericamente de educação, é um fenômeno individual e coletivo, mas sempre social, um fenômeno de criação e transmissão da cultura. Dessa forma, os temas da Sociologia – ou das Sociologias – que se relacionam diretamente com a educação, segundo Kruppa, são: “socialização, cultura, e especialmente, o aparecimento da escola enquanto instituição social, a educação escolar e a sociedade, a educação fora da escola, conteúdos culturais do processo educativo fora e dentro da escola. (KRUPPA apud TOZONI-REIS, 2010, p.05).


Bem, pessoal, espero que estas considerações possam ampliar um pouco mais as suas compreensões sobre o que é a Sociologia e a Sociologia da Educação. Sobre cada sociólogo estudado. Ao longo da semana postarei para vocês algumas dicas e compreensões sobre Durkhein, Weber e Marx, para possibilitar que as dúvidas em relação a eles sejam sanadas.

TOZONI-REIS, Marília Freitas e Campos. Sociologia, o estudo da sociedade. Acervo Digital da Unesp. São Paulo: UNESP, 2010. Disponível em: . Acesso em: 02 set. 2014.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Conversas Sobre Avaliação e Medidas Educacionais - Ano 3:Avaliação e Medidas Educacionais (Curso de Pedagogia FACED/UFJF em março de 2014) - O Problema da Pedagogia da Transmissão e da Avaliação na Educação Brasileira

Este texto é a síntese elaborada a partir de debate produzido em fórum. Os Nomes entre parenteses referem-se às interpretações elaboradas pelos educandos que foram sistematizadas neste texto.

ANTES DE LER O TEXTO ASSISTA AO VÍDEO ABAIXO:




Vocês trouxeram para a nossa discussão pontos significativos que me permitem fazer uma breve síntese do que foi estudado ao longo das duas primeiras semanas da disciplina.


Um dos pontos que fica evidente quando lançamos o nosso olhar em direção à educação é o de que o processo de ensino e aprendizagem e suas avaliações têm se apresentado de forma nebulosa e estranha. Como a maioria de vocês constatou, é necessário que haja uma mudança na maneira como compreendemos e como atuamos na educação para que possamos começar a caminhar rumo à uma educação de qualidade que promova a verdadeira emancipação do educando e o consequente crescimento do país.

Paulo Freire tinha razão quando propunha que o único caminho seria o da democratização da educação por meio de uma proposta pedagógica dialógica.

Esta perspectiva fica clara quando escutamos as diversas vozes de vocês, expressas no fórum, mostrando como a nossa educação está impregnada de um estilo de educação bancária, que nada mais é que uma compreensão equivocada do professor que vê "o educando como uma vasilha que deve ser cheia [...] [e o professor sendo] os donos do saber só passando os conteúdos, [...] [cumprindo] o currículo, não [problematizando] os conteúdos em sala [e não dando] voz aos educandos (Karla).

Neste sentido, podemos entender a educação bancária como um "sistema escolar tradicional [...] cheio de falhas (Valmir), como "a pura transferência de conteúdos, a não participação do educando na produção do conhecimento [e sendo] um dos elementos responsáveis pela desmotivação, pela falta de interesse em estudar o que é "passado" em sala de aula (Lucimar) em função de a escola estar impregnada de uma pedagogia da transmissão. Uma vez que "essa educação baseia-se na existência de um mundo estático e harmonioso , isto é, sem contradições (próprio das concepções nominalistas de explicação da realidade), [...] [resultando que] as práticas dessas concepções estão voltadas para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, práticas estas que continuam muito presente no sistema de ensino de nosso país" (Idemarcia).

Ora Freire, ao contrário do exposto acima, pensa a educação como espaço de potenciação dialógica do eu-outro-mundo, uma "proposta de educação libertadora, [por] romper drasticamente com esta forma [tradicional de se] pensar a Educação, [configurando-se como] uma quebra de paradigmas [...](Valmir). Pois, "Freire relata que ensinar a pensar é a melhor forma de se produzir conhecimentos" (Paula), uma vez que, uma pedagogia onde o educador usa uma educação baseada no diálogo como instrumento metodológico, permitindo uma leitura crítica da realidade, usando a linguagem do povo com a finalidade de liberta-lós, [...] [promove reflexões] sobre a opressão e seus efeitos [é o surgimento de uma]  ação transformadora (Grecelene). Isto reflete no tom como Freire compreende o educador em sua relação pedagógica com o educando, uma vez que, o educador é "mediador de uma educação dialógica que problematiza o aprendizado e ao mesmo tampo dá oportunidades aos alunos de tornarem-se os co-autores dos seus próprios desenvolvimentos, [...] [valorizando] o aluno pelo que ele é e não pelo que ele demonstra em uma avaliação feita através de testes e provas (Laudiceia Benicio). Ora, o que Freire está nos propondo é que passemos a compreender que "enquanto educadores, [temos que centrar o nosso trabalho focado] na conscientização [do oprimido] e que para o oprimido não é suficiente que se tenha a consciência crítica da opressão, mas que [...] se disponha, com sua consciência crítica, transformar a realidade na qual esta inserido (Grecelene). Pois, "dando ênfase na discussão de temas sociais e políticos, o professor orientará as atividades e participará juntamente com os seus alunos [da transformação da realidade, considerando] a educação como reflexão sobre a realidade existencial [e se articulando] com essa realidade nas causas mais profundas dos acontecimentos vividos, procurando inserir sempre os fatos particulares [nos acontecimentos e conhecimentos globais] (Susana).

Pensando desta maneira, qual seria o papel da avaliação na educação?

Do ponto de vista etimológico, podemos compreender o termo "avaliação" como "prova; verificação; ato de avaliar; valor determinado pelos avaliadores; estabelecimento do valor de algo, cálculo; apreciação da competência ou o progresso de um aluno ou de um profissional; arbitragem, feita por peritos, que tem por fim a determinação do valor de certos bens ou produtos." (https://www.google.com.br/search?q=define%3A+avalia%C3%A7%C3%A3o&oq=define%3A+avalia%C3%A7%C3%A3o&aqs=chrome..69i57j69i58.7641j0j7&sourceid=chrome&espv=2&es_sm=93&ie=UTF-8)

Decorre dos significado do étimo "avaliaação", que podemos sim intuir a avaliação como o simples processo de verificação ou classificação de valores, dos objetos, das pessoas. Contudo, a melhor maneira de compreendermos o significado de avaliação na educação, refere-se ao ato de promover a apreciação da competência ou o progresso do sujeito.

Feito esta análise, nos aproximamos da proposta de Luckesi que relata no vídeo que "a avaliação da aprendizagem é parte integrante do processo ensino/aprendizagem e ganhou, na atualidade, espaço muito amplo nos processos de ensino [como] garantia da aprendizagem do educando, [trazendo] consigo o resultado do trabalho pedagógico realizado no cotidiano escolar" (Iracema). Ou seja, “o objetivo da avaliação é garantir o sucesso do aluno no processo da aprendizagem” (Idemárcia). Contudo, sem querer generalizar, como constatamos em nossa experiência cotidiana na educação "avaliação, muitas vezes, tem sido utilizada mais como instrumento de poder nas mãos do professor, do que como resultado para os seus alunos e para o seu próprio trabalho" (Cleudiane).

Mas como apontamos, temos que tomar cuidado para não promovermos generalizações e esquecermos de que "há aquelas escolas que tem na avaliação um fator importante para o processo ensino/aprendizagem, fazendo com que o aluno vivencie sua realidade no espaço escolar e consideram suas produções qualitativas e não só quantitativas [e] do profissional desta escola se requer um preparo técnico, com capacidade de observar, diagnosticar, interferir e produzir resultados com o aluno. Neste contexto, a escola vivencia a avaliação da aprendizagem, como um novo paradigma, onde o processo é capaz de mediar informações com a construção do currículo deste aluno de forma a gerar resultados que contemplem os objetivos propostos para esta aprendizagem" (Valdineia).

Assim, diante destes exemplos podemos nos aproximar das propostas de Freire (da educação democrática e dialógica) e de Luckesi (de uma avaliação eficiente e qualitativa), uma vez que o ato de avaliar "é um ato de investigar, de produzir conhecimentos", [pois] a avaliação necessita ser praticada com o rigor da metodologia científica [e suas] características [devem ser garantidas pela] sistematicidade, linguagem compreensível, conteúdos [compatíveis] com os [saberes] que foram ensinados e precisão" (Ana Maria). Temos que ter em mente que a avaliação "conforme define Luckesi (1996, p. 33), 'é como um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão'. Ou seja, ela implica um juízo valorativo que expressa qualidade do objeto, obrigando, consequentemente, a um posicionamento efetivo sobre o mesmo" (Cleudiane). Assim temos que a avaliação qualitativa na educação requer a garantia do "sucesso da aprendizagem em qualquer lugar, ela é a nossa parceira, é um diagnóstico, que aponta os resultados obtidos durante as aulas e se eles foram positivos ou negativos"(Laudiceia). A avaliação é parceira no sentido de produzir efeito positivos ao processo de ensino e aprendizagem, sendo esta, "um recurso para o educador aperfeiçoar a sua prática (Grecelene).

Portanto, o ato avaliativo "se faz sim necessário, mas precisa ser pensado e planejado consciente e sistematicamente, a fim de que se consiga fazer uma educação, em que educadores e educandos se façam sujeitos do seu processo, superando o intelectualismo alienante, superando o autoritarismo do educador 'bancário'" (Natalia). Por isto, é necessário que na sala de aula "[...] a avaliação [seja] praticada com o rigor da metodologia científica, sua linguagem precisa ser compreensiva e ter compatibilidade com os conteúdos que foram ensinados e, também, com o mesmo nível de dificuldade, complexidade e metodologia, pois, caso contrário, poderá haver uma distorção dentre o que foi ensinado e o que está sendo cobrado do aluno. Se os resultados das avaliações forem satisfatórios será muito bom e se não for, terá que ter a intervenção pedagógica para que todos os alunos tenham a oportunidade de aprenderem dentro do prazo previsto e não fiquem prejudicados de acordo com o seu ano de escolaridade" (Laudiceia). Neste sentido, é que podemos escutar Luckesi dizendo que a avaliação, no sentido tradicional da palavra, não avalia nada. Pois, "é mais valioso observar o avanço diário do aluno, valorizando seu aprendizado durante sua vida escolar, [uma vez que] a avaliação deve ser pensada como uma parceira no sentido de produzir efeitos positivos, pois é um recurso para o educador aperfeiçoar sua prática" (Erica).

Assim, pensar "a avaliação em um contexto de educação autêntica, compreende que o educador deva pensar em modificar seu modo de avaliar, [em favor de subsidiar] a construção do melhor resultado possível e não, pura e simplesmente, aprovar ou reprovar alguma coisa, [ou pessoa]" (Idemarcia). "A avaliação deve ser vista como um instrumento de diagnóstico, onde deve localizar a deficiência do aluno no conteúdo lecionado e a partir daí ter uma base para programar o planejamento que deve ser ensinado. Segundo Luckesi a avaliação é um julgamento sobre uma prática, estabelecidos previamente para tomadas de decisões" (Susana). Luckesi ainda enfatiza que o professor deve planejar suas atividades não estabelecendo apenas que o aluno aprenda o que lhe daria a média da nota [estipulada] na avaliação. Pois assim, não irá requerer a competência que o aluno realmente possui e nem irá ter um diagnóstico preciso para que possa permitir ao aluno reconstruir seu próprio conhecimento. A avaliação, neste contexto, "é um instrumento na mão do professor, que pode controlar e criar critérios para a aprovação e reprovação do aluno, podendo, se não for um profissional compromissado e sensato em busca de uma educação de qualidade, prejudicar a espontaneidade e criatividade dos alunos, tornando-os submisso a um autoritarismo, que não é nada pedagogicamente correto" (Laudiceia Benicio).

Decorre destas considerações que o ato de educar "está bem mais além do educar para simplesmente fazer testes e provas. [Por não se resumir] a um conceito formal e estático, o ato de educar requer que o aluno obtenha conhecimentos favoráveis à construção de sua aprendizagem, [a fim de] que esta aprendizagem seja efetiva e produtiva" (Valdineia). "Significa reconhecer que o aluno não precisa apenas fazer testes e provas. Suas diferentes concepções de vida geram novas possibilidades de ensino, onde há uma necessidade de ampliar e construir novos conhecimentos, implicando flexibilidade quanto aos objetivos, os conteúdos e as formas de ensinar e avaliar dentro de uma contextualização de recriação de um currículo escolar, sempre que assim se fizer necessário" (Laudiceia Benicio).

Mas, como apontamos, infelizmente, estas concepções ainda passam ao largo da maioria das escolas brasileiras e a pedagogia continua sendo bancária e a avaliação ainda é feita de forma a testar a quantidade de conhecimentos "depositados", transmitidos ao educando. Assim, pensamos que "educar para fazer teste e provas não seja o primordial, mas infelizmente, [tem sido a tônica nas escolas e instituições], pois a todo o momento somos avaliados dessa forma, [como nos] vestibulares, na faculdades, nos concursos, etc., [sendo, assim, necessário ocorrerem] mudanças [...] em todos os setores [da vida prática] e não somente na educação" (Karla).



Bem pessoal, estas foram as principais considerações que extraímos dos conhecimentos mediados por Freire e Luckesi, nesta etapa do nosso curso, e que foram compreendidos por vocês, neste fórum.

Abçs.

Referências:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LUCKESI, Cipriano Carlo. Avaliação da Aprendizagem. [vídeo]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=JNV_hcWVH-A. Acesso em: 01. mar. 2014.