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terça-feira, 24 de março de 2015

POR QUE PRECISAMOS CONHECER A FILOSOFIA?

Leia a tira em quadrinhos abaixo de Mafalda:



MAFALDA. O que é Filosofia. Disponível em .

“Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência.”
 Aristóteles

Como vimos na tira em quadrinhos acima, do escritor argentino Quino, Mafalda faz um questionamento para o seu pai que o deixou confuso, fazendo-o pesquisar e estudar muito para tentar encontrar uma resposta sobre o que é a Filosofia. O que é interessante nesta tirinha em quadrinhos é que todos nós, em algum momento de nossa vida, seremos desafiados a entender o que é a Filosofia. Contudo, por já ser filosófica, esta não é uma questão simples de ser compreendida ou respondida, como percebeu o pai da Mafalda.
A compreensão sobre o que é a Filosofia não pode acontecer sob uma única ótica interpretativa emanada de um conceito de verdade absoluto. Mas, o entendimento que seja a Filosofia só acontece quando a entendemos por meio de múltiplas perspectivas de compreensão desta forma de conhecimento.
Ora, agora, você pode estar se perguntando: se temos múltiplas possibilidades de responder o que é a Filosofia, então não teremos nunca uma resposta e uma compreensão sobre o que é este tipo de conhecimento, uma vez que conhecer alguma coisa é poder ter uma resposta verdadeira, única, absoluta sobre as coisas e conhecimentos?; ou, ainda, como distinguir a Filosofia de outras formas de conhecimentos científicos, uma vez que todo conhecimento é pautado pela busca de um conhecimento verdadeiro? Bem, a princípio podemos incorrer neste tipo de confusão. Mas não é bem assim!

Vamos entender isto melhor no exemplo a seguir. Se reunirmos várias pessoas com maior ou menor afinidade em relação à Filosofia (teólogos, filósofos, artistas, cientistas, pessoas comuns, entre outras) e fizermos tal questionamento a elas, certamente, teremos muitas possibilidades de respostas à questão, ocasionadas pelas perspectivas culturais das quais formam cada uma destas pessoas. Um teólogo, a entenderá à luz de concepções que fundamentam a sua crença religiosa; um filósofo a entenderá segundo a orientação filosófica da qual tem mais afinidade; um artista a perceberá conforme as implicações existenciais e artísticas de sua obra; o cientista a deduzirá como princípios e orientações lógico-metodológicas para as suas investigações; e o homem comum a intuirá como forma de consolidar pensamentos e crenças cotidianas. Todavia, mesmo diante destas múltiplas interpretações sobre o que é a Filosofia, todas expressarão a importância da Filosofia como uma das prerrogativas fundamentais do ser humano, requerendo de todos nós que possamos compreendê-la como a busca humana racional e incansável pelo conhecimento.
Deste modo, podemos sim ter uma resposta do que é Filosofia, mesmo diante da multiplicidade de interpretações, quando entendermos a sua importância para a constituição dos saberes e da vida como um todo. A Filosofia, neste sentido, poderá ser compreendida como um modo de “especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores [...]” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 06), sem a pretensão de resolver tais assuntos ou questões, mas sugerindo novas questões e problematizações, estimulando a análise, reflexão e a crítica sobre os saberes humanos. Ou seja, a                                                                                                            
Filosofia é uma busca incessante pelo conhecimento do conhecimento, pelo conhecimento pensado pela humanidade, pelos saberes que constituem a realidade humana.

Ora, como sabemos, o ser humano é o único animal da face da terra que é racional, como bem disse o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.). Por ter a predisposição à racionalidade, a pensar sobre os acontecimentos que fazem parte da sua vida, o ser humano é, também, o único animal que consegue pensar em termos de passado, presente e futuro. Ou seja, todos nós podemos rememorar nosso passado, lembrar de nossa infância, juventude, dos amigos que há muito tempo não encontramos, dos momentos felizes que passamos e dos problemas que fizeram parte de momentos de nossa vida.  
Podemos, também, pensar o presente para que possamos viver de forma saudável, realizar bons negócios, nos divertir, resolver problemas do dia a dia, viver melhor. Da mesma maneira, podemos pensar sobre o futuro, planejando melhorar de vida, comprar um carro, uma casa; projetando novas fases de sua vida como concluir um curso, fazer uma faculdade, encontrar um novo emprego; ou criando novas possibilidades para a vida produzindo novos equipamentos tecnológicos, encontrando a cura de doenças, propondo novos modelos de arquitetura, entre outros.
Pensar, portanto, é uma capacidade humana que nos faz criar múltiplas possibilidades de saberes para a vida humana. Mas, será que o simples fato de pensarmos sobre o presente, o passado e o futuro já nos predispõe à condição de sermos filósofos? O que é ser um filósofo? Ou ainda, a que tipo de conhecimento se propõe a Filosofia?
Bem, entender que o ser humano é um animal racional nos faz ir de encontro ao fato de que todo ser humano nasce com a capacidade do filosofar. Imagine uma criança quando começa a dar seus primeiros passos, a expressar suas primeiras palavras, a se encantar e admirar com o mundo que está à sua volta. Logo começam a surgir interrogações, questionamentos que são interpelados aos adultos que estão à sua volta: o que é o mundo?; como uma planta nasce?; por que o céu é azul?; por que as formigas andam atrás umas das outras?; onde estão as pessoas nas imagens da televisão?; por que ….?; como ….?; onde ….? Sempre que percebemos uma criança inquieta e fazendo perguntas que nós adultos já não o questionamos, há bastante tempo, estamos diante de um fenômeno humano que é o fato de que a criança está exercitando seu espírito filosófico, questionando sobre as coisas, os fatos, os fenômenos que estão à sua volta, capacidade esta que, nós adultos, perdemos por nos conformarmos com respostas prontas, acabadas, verdadeiras e absolutas sobre estas mesmas coisas, fatos e fenômenos.
Neste sentido, podemos entender a importância de se compreender a Filosofia como sendo a capacidade que o ser humano tem, independente de sua idade, condição de vida, situação econômica, filiação política ou religiosa, de analisar, refletir e criticar todas as coisas, fatos e fenômenos que estão à sua volta. É a capacidade de olhar de forma diferenciada, de suspeitar e desconfiar de todas as respostas prontas, verdadeiras e absolutas que nos oferecem como respostas únicas sobre os acontecimentos, a vida e o mundo que está à nossa volta. É a possibilidade de duvidarmos, pensarmos e agirmos no mundo por meio da atitude filosófica: a capacidade de enxergarmos o mundo de forma analítica crítico e reflexiva, em uma busca incessante em direção ao saberes dialogados, compartilhados e aceitos, provisoriamente, como possibilidades explicativas de um espaço e tempo nas sociedades. Contudo, o fato de caminharmos em direção à atitude filosófica, de vislumbramos o mundo com o espírito filosófico, não nos coloca na posição de filósofos, uma vez que para sermos filósofos necessitamos de métodos de investigação filosófica precisos, rigorosos e uma sistematização do pensamento que faz com que o filósofo discuta as grandes questões fundamentais para o conhecimento e a vida humana. 
Para tanto, o verdadeiro filósofo passa a compreender que a Filosofia é conhecimento e que há uma distinção entre a Filosofia e a Ciência, uma vez que, mesmo que ora ou outra se ocupe do mesmo objeto de conhecimento das ciências, “[...] é pelo objeto, pela matéria ou assunto de que se ocupa, que a Filosofia, para ter existência própria e se legitimar, se há de distinguir” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 12) das Ciências. Se às Ciências “[...] cabe, como objeto, a realidade universal, isto é, o universo e seu conjunto de ocorrências, feições, circunstâncias que envolvem e também compreendem o Homem [...]” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 13), à Filosofia cabe, como objeto, o conhecimento do conhecimento, buscar compreender diante da realidade universal “o que vem a ser o fato ou o ato de ‘conhecer’; e como se realiza esse fato, qual a sequência – sua gênese, seu desenvolvimento, e seu desenlace; [...] como se apresenta e se configura na sua conclusão como corpo de conhecimentos para o qual o processo afinal se dirige e em que se torna” (PRADO JUNIOR, 2000, p. 16). Portanto, a Filosofia proporá, como Epistemologia (Teoria do Conhecimento), ultrapassar todo o conhecimento ordinário (senso comum) e todo o conhecimento em geral da Ciência, que tem por objeto as feições e ocorrências do Universo que envolvem o Homem e de que ele participa, se prestando à investigação do próprio conhecimento, do conhecimento de tais feições e ocorrências, para no contexto do processo cognitivo humano, chegar a seu fim primordial: o de conhecer a função e constituição essencial da natureza humana e de determinar e orientar devidamente o comportamento do ser humano nas sociedades.
Por isto, é importante que todo ser humano entenda e aprenda o que é a Filosofia, a fim de que tenhamos conhecimentos sobre a própria natureza humana e a maneira como o ser humano vive e se comporta no meio social em que está engajado. Se não for por este motivo, seja para que tenhamos conhecimento do conhecimento e não nos deixemos guiar pelas imposições alheias, pelas verdades absolutas que massificam o ser humano e o impede de realizar a única coisa que o caracteriza e o distingue dos demais animais: a capacidade de pensar e criar novos conhecimentos. 
Mas como o ser humano descobriu esta capacidade analítica, crítico e reflexiva de conhecer o conhecimento? O que, com este novo posicionamento intelectual, mudou na história dos seres humanos? Como podemos agir filosoficamente e superamos as condições de massificação que são impostas aos seres humanos ao longo de toda a história? Estas serão questões que veremos nos próximos textos.


Octavio Silvério de Souza Vieira Neto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

BLOG FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO E PÓS-MODERNIDADE ATINGE A MARCA DE MAIS DE 100.000 VISITANTES EM 2015


Olá pessoal,

Espero que todos estejam bem!

O ano de 2014 foi decisivo para o Blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade, mesmo tendo sido um ano tumultuado o que me impossibilitou de promover um maior contato com vocês, caros leitores. Mas, fiquei muito feliz, por constatar que, nas últimas semanas de 2014, já havíamos atingido a marca de mais de 100.000 acessos ao site, número este que está se consolidando como uma marca de crescimento constante no Blog: hoje, há apenas 28 dias do início do novo ano,  já atingimos a marca de mais de 103.720 acessos (veja total de visualizações do blog, ao lado), o que demonstra que estou no caminho certo e tenho agradado nossos leitores. 

Todavia, neste ano de 2015 temos muitos desafios e novidades para vocês! 

Uma delas é a proposta de um novo layout do blog mais limpo, com informações mais precisas, acompanhadas  de uma perspectiva profissional que que marcará uma nova faze do blog com planejamento de publicações, ações de marketing digital mais agressivo e ações de marketing de conteúdo, para que o leitor fique à vontade no blog e se torne nosso parceiro de produções. Esta será a segunda proposição para 2015, com a abertura deste espaço de produção e discussão do conhecimento para que profissionais interessados nas temáticas da Filosofia da Educação, da Educação e da incorporação ao currículo escolar às tecnologias, possam publicar suas ideias, pesquisas e contribuições no Blog. Para tanto, estarei disponibilizando na aba contatos, um formulário em que os interessados possam nos contatar e conhecer as diretrizes para a publicação no Blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade. Acompanham estas ações a implementação de espaços de maior comunicação com o leitor, como o feedback de comentários, os fóruns de discussão dialógica sobre temáticas apresentadas e discutidas no blog, o Café Filosófico e o retorno da TV Filosofia.

Outra novidade que estamos implementado (com data marcada para a inauguração até o fim de fevereiro de 2015) é o projeto profissional Mediação Online Startup Blog Brasil  que se originou no final de 2014 e está tomando corpo agora em 2015. O projeto consiste em uma Startup com a missão de capacitar gestores educacionais, coordenadores pedagógicos e educadores, por meio de método e estratégia pedagógica inovadora, possibilitando o surgimento de novas metodologias e procedimentos para a prática educacional cotidiana que integre o currículo às tecnologias e potencialize o processo de ensino e aprendizagem na educação brasileira. 




No site Mediação Online o visitante encontrará (neste primeira fase de implementação) Soluções em Formação Tecnológica Educacional como Cursos Online Gratuitos, Cursos Livres Certificados, Consultoria em SoluçõesTecnológicas Educacionais e Consultoria Online Gratuita. 

Uma das primeiras ações do site Mediação Online é a realização de uma Pesquisa de Marketing Educacional  que tem como objetivo mapear a relação do educador com as tecnologias e como estas estão sendo integradas na escola (acesse o link clicando no nome da pesquisa, participe e compartilhe). 

Bem, espero que com estas ações possamos dar um tom profissional ao Blog, além de podermos nos comunicar melhor, criando espaços de novas possibilidades educativas que se tornarão efetivas no chão da escola. 

Não deixem de visitar o blog Filosofia da Educação e Pós-Modernidade e o site Mediação Online, se inscreverem em nossas Newslleter e aproveitar todas as novidades que temos para vocês no ano de 2015.

Até breve!