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domingo, 1 de maio de 2011

Conversas Sobre Filosofia e Educação: O que é Filosofia? (Discussões sobre Filosofia da Educação no Curso de Pedagogia a Distância da UAB/PPGE/UFJF) - 1º DIÁLOGO

Re: Fórum de ambientação da disiciplina

Por: Octavio Silvério de Souza Vieira Neto - Tuesday, 15 March 2011, 15:39H



Olá pessoal,

É muito bom tê-los aqui nete espaço de reflexão. Sejam bem vindos!

A partir do que vocês já apontaram sobre suas compreensões do seja a Filosofia e a Filosofia da Educação, podemos dizer que são várias as explicações do que seja a Filosofia.

Em seu livro "O que é Filosofia", Caio Prado Junior nos apontará que infinitos são os caminhos e possibilidades explicativas do que seja a Filosofia em função das explicações serem "consideradas em perspectivas [individuais] de tal modo apartadas uma das outras que não se combinam e entrosam entre si, tornando-se impossível contrastá-las" (p.05), situação esta plenamente justificável pelas infindáveis possibilidades de interpretação do homem e da realidade que o circunda.

Esta afirmação fica evidente quando perguntarmos a vários tipos de pessoas (os educandos do curos de Pedagogia, o poeta, o filósofo, o teólogo, o médico, o cientista, o artista, entre outros) o que entendem por filosofia teríamos variadas respostas sobre o tema que nos levariam entender que a experiência cotidiana e o entendimento do uso deste conhecimento por cada uma destas pessoas faz com que ela conceitue a Filosofia a partir de seu modo de interpretar, acreditar e valorizar a realidade à sua volta.

Neste sentido, é que para Caio Prado Junior afirma que a Filosofia seria "uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo de seus humores. (...) não [cabendo] à Filosofia 'resolver', e sim unicamente sugerir questões e propor problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim unicamente de estimular a reflexão, aguçar a curiosidade"

Mas então não teríamos uma explicação do que seja a Filosofia? Qual a utilidade da Filosofia para o conhecimento, para a vida, para a educação?

Entendido desta maneira poderíamos dizer que é evidente que podemos chegar a uma conceituação do que seja Filosofia e de sua utilidade em nossa vida.

Para isto vamos pesquisar mais um pouco e discutir estas questões:

No Meu blog tem um texto que poderá ampliar, um pouco mais, nossa discussão:


Vejam também como Paulo Ghiraldelli Jr. conceitua a Filosofia, no vídeo abaixo:

quarta-feira, 20 de abril de 2011

E-Book - Educação e Tecnologias: reflexão, inovação e práticas


Olá Pessoal,

Estou divulgando o E-Ebook Educação e Tecnologias: reflexão, inovação e práticas que, pode-se afirmar, é um dos marcos teóricos da discussão do papel das TICs para a ressignificação do processo de ensino e aprendizagem na Educação, por reunir pesquisadores de conceituadas Instutições de Pesquisa de Portugal, Brasil, Chile, Espanha, França e Inglaterra .
Trancrevo aqui parte da intordução com informações valiosas sobre a obra e deixo-lhes o link para que acesem o E-Book completo e saboreiem estas valiosas informações. 


"(...) O livro Educação e tecnologias: reflexão, inovação e práticas traz contribuições valiosas para essa formação necessária. Seus organizadores, Daniela, Cláudia, Filipa, José António e Susana, estão atentos à dinâmica do novo cenário sociotécnico e dos seus desafios para a educação. Eles reuniram investigadores de Portugal, Brasil, Chile, Espanha, França e Inglaterra em três eixos temáticos: "construindo e refletindo", "aplicando e transformando" e "inovando e experimentando". Na cadência destes pares de gerúndio, os autores expõem suas ideias, experiências e reflexões sobre o tema, por meio de artigos, que, ao examinar de várias maneiras e perspectivas a educação na era digital, potenciam discussões sobre as transformações na cultura, na educação e no mundo do trabalho; a formação de leitores, a condição, formação e os novos desafios do professor; a aprendizagem colaborativa; as redes sociais de educação; e as novas práticas e possibilidades pedagógicas.(...)"



Quer Saber Mais?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Como Aprendemos Hoje?

A discussão sobre "como aprendemos hoje?" traz muitas possibilidades de nos situarmos diante dos conhecimentos e das TICs na Educação. O fórun está demonstrando bem isto!
Aqui no Brasil, a questão da produção de conhecimentos e as ações pedagógicas despendidas para este fim, tem sofrido intervenções constantes do MEC e de outros órgão de gestão e gerenciamento da educação. Mas ainda temos muito a percorrer nesta jornada.
Nossas escolas, em muitos casos, entendem que a única forma de produzirmos aprendizados significativos seria através da Tendência Liberal Tradicional. A sociedade se transformou, as TICs estão invadindo o cotidiano das pessoas, a comunicação é o grande aparato discursivo dos indivíduos, o conhecimento vem se transformada de forma avassaladora na Sociedade de Informação, entre outros.
Mas e a escola brasileira? Como tem se valido da Sociedade de Informação para produzir conhecimentos? Esta, entupida com seus professores petrificados e gestores tacanhos e inaptos, insiste em se manter moderna (tradicional), se valendo de métodos e posicionamentos ultrapassados para a geração de conhecimentos.
Ora, os jovens da atualidade necessitam de novas possibilidades pedagógicas que o façam ter prazer em ir à escola. Pois uma escola que não atrai pessoas é uma instituição fadada ao fracasso.
Todavia, não é por falta de recursos tecnológicos que a escola brasileira tem sofrido este problema metodológico e cognitivo.
Apesar de ainda termos muitas escolas sucateadas Brasil afora, temos  uma grande quantidade de escolas novas, com espaços pedagógicos adequados e com laboratórios de informática de última geração, mas que tendem a se tornarem sucatas pelo mau uso ou, até mesmo, pelo não uso dos equipamentos tecnológicos. Os centros de informáticas da escola são muitas vezes trancados à sete chaves para que não se utilizem ou quebrem os equipamentos. É um contra-senso!
Portanto, há um longo caminho a ser percorrido na capacitação de professores e gestores e, substancialmente, na capacitação destes profissionais para a utilização dos AVAs no processo de ensino e aprendizagem na educação.
A informática educacional e os AVAs são discussões recentes e que ainda sofrem bastante preconceito acadêmico, administrativo e, fundamentalmente, de uma classe docente avessa às transformações da contemporaneidade.
Mas não podemos esmorecer. Temos que ampliar esta discussão para que possamos implementar, em nossas escolas, aprendizagens por projetos que dinamizem os AVAs, as TICs e que possibilite uma criação/invenção de novos conhecimentos que levem em conta os conhecimentos acumulados associados aos conhecimentos cotidianos. Ademais, temos que criar métodos de ensino que satisfaçam aos educandos para que estes se sintam parte integrante da escola e a entendam como um espaço de superação de limites e de criação de conhecimentos.
Neste contexto a questão, "Como podemos conhecer?", é pertinente e fundamental para que possamos argumentar acerca do sentido de formação da atualidade e, para além disto, reinventar um novo sentido de formação e uma nova práxis pedagógica para a ressignificação da educação que, na atualidade, tem fortes aliados com os AVAs, as TICs e a informática educacional.
Ora, afinal vivemos em um tempo em que a aprendizagem ocorre por narrativas e não mais, tão somente, através das metanarrativas, como nos apontou Lyotard. Por que então nos mantermos presos a modelos pedagógicos que não levam em conta as únicas possibilidades estritamente humanas: a de pensar, criticar, duvidar, refletir, comunicar e de conhecer o conhecimento (conhecimento do conhecimento)?
Esta é a nova perspectiva que temos para o futuro da educação com os AVAs, as TICs e a informática educacional que podem contribuir sobremaneira para este novo paradigma formativo da humanidade.
Octavio Silvério de Souza Vieira Neto
Verão de 2011
Veja este vídeo e entenda mais sobre o assunto:


Saber e Sabor - MEC 


Saber e Sabor por brazmauricio no Videolog.tv.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Introdução à Filosofia: da Estética Pós-moderna à Conceituação Hipermoderna: a era da hiperabundância socio-cultural e econômica - Parte 6

 “É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela”.
NIETZSCHE


Segundo o filósofo e professor da Universidade de Grenoble, na França, Gilles Lipovetsky, vive-se, hoje, a era da hipermodernidade.
O Mundo atual que se constituiu à nossa volta, apresenta-se como um espaço e um tempo do hiperterrorismo, das hiperpotências, das hiperclasses, do hipertexto, da hiperinformação, do hipermercado, do hiperconsumo, do hipercapitalismo enfim, da hiperabundância de todas as coisas criadas pelo homem a partir das revoluções filosófica e científica na modernidade.
Contudo, apesar de se situar no núcleo deste frenesi do hipercapitalismo, os homens e mulheres hipermodernos encontram-se na mais profunda individualidade que a história jamais pode ver: situam-se em um vazio profundo de significações e significados que os fadam ao individualismo, à solidão e ao desespero do excesso. Como diz Lipovetsky, o homem hipermoderno está fragilizado pelo medo em uma era de exageros.
Em meio a esta lógica da hiperabundância os indivíduos hipermodernos vêem-se bombardeados por uma infinidade de informações, serviços e objetos que os tornam ilimitados em seus desejos. A lógica do ter (coisas, informações e serviços) sobressai-se em relação à lógica do ser (do tornar-se ético, moral, honesto, honrado, por exemplo) o que demarca a fragilidade de sua existência diante do mundo hipercapitalizado.
Ora, se na primeira modernidade, a partir do século XVIII, inventou-se o individualismo, a democracia e o mercado livre, nesta nova era da modernidade (que o filósofo Lyotard denominou pós-modernidade), se instituiu o hiperindividualismo e o hiperconsumo. Não mais o individualismo limitado pelas ideologias, pelas diferenças sexuais, pelo papel da igreja, pelo papel do estado na economia (próprio das primeira mosdernisdasde), mas, agora, um hiperindividualismo que imerso na sociedade de consumo torna-se ilimitado, com os indivíduos cada vez mais senhores de sua própria existência, em todas as categorias e gêneros da população: crianças, jovens, homossexuais, homens ou mulheres, brancos ou negros. Ou seja, o hiperindividualista é mais responsável pela sua própria existência. Ele tem menos proteção coletiva, das instituições. Ele está mais entregue a si mesmo, o que implica ter de se buscar a si e se auto-inventar.  Mas, sobretudo, ele passa a ser vítima da era dos exageros: do hiperconsumo. Por isto está mais frágil no hipercapitalismo.
 Este fenômeno, o hiperindividualismo, pode ser entendido ao se analisar a invasão das novas tecnologias da informação no seio da família, da escola e das instituições organizadoras da sociedade. Pois os telefones celulares, os computadores, os nootbook’s, os aparelhos de CD/DVD, as televisões de plasma, a internet, os Ipod’s, os modems móveis G3 e toda sorte de tecnologias ressignificam o espaço e tempo dos indivíduos na atualidade.
Assim, o contato dos hiperindivíduos com as novas tecnologias da informação promove o uso do tempo e espaço de forma diferenciada, sem padrões ou modelos a seguir. Qualquer pessoa pode tornar-se escritor, cineasta, crítico de cinema ou design com alguns cliques na internet. Ou seja, para o hiperindivíduo tornar-se expert em alguma coisa depende de seu desejo em conhecer algo, do seu reinventar-se e de sua possibilidade criativa. Além deste efeito, as tecnologias da informação, permitem aos indivíduos fazerem uso de seu espaço e tempo de forma individualizada. Pois a internet, por exemplo, permite se estabelecer contatos com outros indivíduos, mundo afora, e no momento que se quiser, na clausura do seu quarto.
Neste contexto, o hipermundo tornar-se um espaço e tempo sem ideologias, sem fronteiras, sem regras, sem limites, uma sociedade do hiperconsumo e, talvez como alguns pessimistas diriam, uma sociedade caótica. Mas Lipovetsky não concorda com os pessimistas e ratifica a hipermodernidade pois (...) por toda parte há uma sociedade dos livres serviços que se acentuou (...) devido à sociedade de consumo e agora mais ainda pelas novas tecnologias. Sociedade esta que se moderniza a cada instante em função de sua inventividade e criatividade.
Ora diante deste hiperdindiviualismo da sociedade hipermoderna, sociedade esta sem limites, afeita ao frenisi das novas tecnologias e à impulsividade do consumo instantâneo de informações imediatistas, de coisas efêmeras e de momentos de pura individualidade solitária, qual seria a possibilidade do filosofar e da educabilidade uma vez que filosofar e educar exige regras, limites, valores e conhecimentos que foram passados de geração em geração? Ou de outra forma, como se poderá filosofar e se educar em uma sociedade em que os valores e os conhecimentos que foram passados de geração em geração são substituídos por valores individualizados que satisfaçam as exigências do consumo desenfreado, da efemeridade e da hiperabundância? Enfim, quais caminhos percorrer para a efetivação de um pensamento filosófico e de uma educação democrática e de qualidade na hipermodernidade diante do hiperindividualismo e do hiperconsumismo ou diante da ditadura da marca nos tempos atuais?
A este respeito Lipovetsky apontará um paradoxo da hiperindividualidade. Pois os homens e as mulheres, mesmo afeitos à liberdade hipermoderna continuam tendo um certo autolimite e um número de parceiros sexuais limitado. Isso é interessante. De um lado, parece que tudo é possível, tudo é permitido e não é bem assim. Apesar dos indivíduos estarem voltados para o imediatismo do presente com o consumo associado a uma ética da felicidade (quanto mais consumir mais feliz será) que bombardeia, de um lado, o hiperindivíduo com uma loucura gerada por liquidações, lançamentos, datas festivas e, em contraponto, uma obsessão pela saúde em um comportamento crescente de preocupação com o corpo, cuidados com a alimentação, priorizando produtos saudáveis e de qualidade, muitos hiperindivíduos se mantém em uma posição de moderação e uma espécie de reequilíbrio.
 E aqui se tem o ponto arquimediano para que se possa entender qual o papel da filosofia e da educação na hipermodernidade. Ou seja, perceber um ponto de moderação e reequilíbrio da hiperindividualidade significa dizer que talvez não se deva reproduzir o modelo da manipulação ideológica e de alienação proposto na primeira modernidade. Mas antes viver numa sociedade em que ainda há normas muito fortes, mas que não tem um impacto considerável na existência dos hiperindivíduos. Pois imerso na cultura dos excessos o hiperindivíduo carece de substancialidade, fundamentação e critérios para compreender, de forma crítica, o que a hipermodernidade lhe apresenta de forma avassaladora: o excesso de informações. Dito de outra maneira, os hiperindivíduos necessitam da filosofia e da educação para que possam compreender o excesso de informação e transformações que ocorrem à sua volta para que não vivam alienados e manipulados no hipermundo.
Como aponta Lipovetsky: O hiperindivíduo ainda tem crenças e se entusiasma com as coisas. Não com todas as coisas ao mesmo tempo. Por isso é um erro completo de diagnóstico dizer que há somente a técnica e a busca da eficácia e da competitividade. Segundo Lipovetski essa é uma leitura parcial da realidade, (...) porque ela esquece que se no mundo moderno há esse aspecto da técnica e competitividade, há também os valores humanísticos e democráticos. Esses valores podem ser mais ou menos fortes em determinado momento, mas de forma alguma eles morreram. E repito, a partida está longe de estar acabada. (...) as regras éticas permitem, na verdade, jogar o jogo. Se você trapacear, não vai poder jogar por muito tempo. A ética no mundo dos negócios tornou-se um fator muito importante em escala global para que o sistema possa funcionar.
Portanto, filosofar e educar no mundo hipermoderno é lembrar que mesmo dentro da hiperabundância de saberes, valores, técnicas há sempre uma necessidade individual em relembrar o já dito, manter-se em determinados valores e experimentar toda sorte de técnicas que o ser humano é capaz. Ao invés de se moralizar o hipermundo com valores de conduta e nivelamento, com posicionamentos intelectuais tradicionalmente aceitos por décadas passadas e, sobretudo, promover a profanação da técnica em favor de padrões ideológicos impostos por profetas da sociedade, tem-se que valorizar a informação, a diferença, a individualidade, a abundância, a ética, a técnica e toda sorte de possibilidades da hipermodernidade. Pois de um simples e corriqueiro objeto tecnológico presente em todos os lares mundo afora, a televisão, pode-se escravizar os hiperindivíduos do mundo inteiro com valores de condutas e ideologias dominantes. Mas também se pode extrair deste equipamento informações importantes que farão os hierindivíduos tornarem-se mais críticos, reflexivos e criativos.
 A filosofia e a escola que queremos proporão que a hipermodernidade aconteça em um ambiente escolar repleto do hipermundo que integra o hiperindivíduo. Este novo modo de pensar a realidade e produzir conhecimentos na escola tem que se tornar um fenômeno de hiperconsumo, com todas as informaçãoes que estiverem contidas e ao alcance dos hiperindivíduos. A escola que queremos é a hiperescola. Como dirá Lipovetsky a escola da paixão em que o hiperindivíduo se torne o hiperprotagonista e o hiperator da reinvenção e recriação de um novo espaço e tempo na história humana. Pois educar é proporcionar à história da humanidade que haja novos atores históricos (...) em um universo aberto. E essa ordem aberta pode ter a forma de uma sociedade desigual, uma sociedade democrática, ética, e com muita vontade de reinventar, recriar e requalificar os hiperindivíduos. Uma sociedade que saiba usar a filosofia para que possa pensar e repensar a realidade de forma crítica, analítica e reflexiva. Uma sociedade que até manipule, ideologicamente, os hiperindivíduos, mas que dê a eles a oportunidade de dialogar com os modelos de dominação existentes para que viver feliz na hipermodernidade.

Octavio Silvério de Souza Vieira Neto
Verão de 2009