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segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Cognição Humana


A tentativa de compreensão e a busca pelo sentido que melhor classifica algum conceito é uma tarefa importantíssima. Para tanto, é imprescindível que se tome como ponto de partida o estudo etimológico do étimo ao qual deseja-se conhecer.
O Wikicionário, por exemplo, nos dirá que, no sentido etimológico, a palavra cognição vem do latim cognitìo, ónis , o ato de conhecer. Partindo da constatação do étimo podemos compreender a definição de Houaiss que aponta que é “a aquisição de um conhecimento” (HOUAISS, 1994, p.234) e ainda a definição do Wikicionário que é “ato ou efeito de conhecer; e a compreensão sensorial consciente ou inconsciente; compreensão do subjetivo”

artindo desta análise, poderemos fazer o exercício de aproximação conceitual da palavra cognição aproximando-a ao conceito de produção, não no sentido fabril da modernidade, mas no sentido aristotélico de uma arte produtiva. Advinda do latim produção quer dizer productĭo, -ōnis, logo podemos entender produção como o ato ou efeito de produzir ou como aponta Houaiss, “ (...) realização” (HOUAISS, 1994, p.830).
Ora , ao nos aproximarmos destas duas especificações etimológicas, inevitavelmente, estaremos entendendo a cognição como um processo poiético, ou seja, como ato “produtivo ou criativo, enquanto diferente de prático”. Pois como aponta Aristóteles, “a arte é produtiva, enquanto a ação não é”(ABBAGNANO, 1998, P. 772).
Diante disto, podemos intuir uma conceituação muito interessante do que seja a cognição: o ato de conhecer e de produção criativa (poiésis) do ser humano. Logo, o ser humano é o único animal que tem a possibilidade de ao se defrontar, sensivelmente, com a natureza, a partir de seu espírito poiético, de imaginá-la e modificá-la segundo sua categoria subjetiva. Pois ao relacionar-se com a realidade o homem a conhece, a recria, a reinventa, a ressignifica com sua potencialidade subjetiva e poiética.
Esta é a capacidade de realização do ser humano que, quando entende-se como um ser poiético, entende a vida como a arte de produzir significações que amenizem a instabilidade do real. Assim, podermos nos aproximar da conceituação de cognição como a capacidade existencial do homem de ressignificar a realidade.

Referências:

HOUAISS, Antonio. Minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1994.

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução: Alfredo Bosi. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes,1998.


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