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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Para Quem Quer Filosofar em Sala de Aula em Grande Estilo

Já era hora de os professores de Filosofia terem um material de qualidade sobre a História da Filosofia que o pudessem auxiliar nos meandros dos campos floridos dos saberes filosóficos em sala de aula. No último semestre de 2007 uma grande novidade chegou ao mercado barsileiro que melhorará em muito a experiência e o contato de educadores e educandos com a Filosofia: a minissérie norueguesa O Mundo de Sofia.

Adaptado do best-seller internacional de Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia, que vendeu mais de 20 milhões de livros ao redor do mundo, sendo traduzido para mais de 40 idiomas, e lançado pelo selo Versátil, no Brasil, a minissérie apresenta a versão integral do livro em DVD duplo.

Às vésperas de completar 15 anos, Sofia Amundsen recebe mensagens anônimas com perguntas intrigantes, como "quem é você?" e "de onde vem o mundo?". A partir dessas mensagens, ela se torna aluna do misterioso Alberto Knox, que a acompanha em uma fascinante jornada pela história da Filosofia, de Sócrates até os dias de hoje, passando pela Idade Média, o Iluminismo, a Revolução Francesa e a Revolução Russa. Como o livro , a minissérie O Mundo de Sofia é uma introdução inteligente e instigante à História da Filosofia, recomendada a todos que têm paixão pelo conhecimento e agora, também, de muito valia para jovens educandos compreenderem, de forma agradável e visual, as grandes discussões filosóficas que engendrou a epistemologia no mundo ocidental.
Informações mais completas sobre o livro visite o site: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=5

O filme custa em média R$ 49,90.

Mas, também, se tem a opção de fazer o Download do filme no site: http//filosofiacomcafe.blogspot.com/2008/10/o-mundo-de-sofia.html


A Expansão da Consciência Humana na Tragetória de Jean-Baptiste Grenouille

O Filme perfume fora adaptado do best-seller O Perfume, de Patrick Süskind, após 15 anos de longa disputa de direitos autorais.
O filme é sobre uma sinistra história de assassinato no século 18, estrelado por Dustin Hoffman e Alan Rickman. Contudo a dinâmica do filme propõe uma intensa nuance de fatos sócio-históricos-culturais, científicos e filosóficos que predispões o telespctador mais atento a sentir o perfume dos campos floridos do saber de uma época.
A história de Jean-Baptiste Grenouille e sua busca tenebrosa pela fragrância perfeita fez de “Perfume" o romance alemão mais vendido em todo o mundo desde "Nada de Novo no Front", escrito por Erich Maria Remarque na década de 1920.
Mesmo depois de vender 15 milhões de exemplares do livro, Süskind, conhecido na Alemanha como recluso, se recusou a vender os direitos para o cinema. Consta que o autor queria que o filme fosse dirigido por Stanley Kubrick, que morreu em 1999, mas ele acabou vendendo os direitos a seu amigo Bernd Eichinger, que é o mais conhecido produtor cinematográfico da Alemanha.
Eichinger, cujos créditos incluem "O Nome da Rosa" e "A Queda", filme aclamado sobre os últimos dias na vida de Adolf Hitler, diz que assim que leu o livro, quando ele foi publicado, em 1985, sabia que queria filmá-lo, mas que Süskind rejeitou a idéia.
Ele se nega a dizer quanto pagou pelos direitos, mas o orçamento de 50 milhões de dólares faz de "O Perfume" o filme alemão mais caro da história.
Depois de décadas perdendo para o cinema francês, os cinéfilos alemães esperam que "O Perfume", que fará sua estréia em Munique na quinta-feira, supere os sucessos recentes do cinema alemão como "A Queda", "Adeus Lenin" e "Corra, Lola, Corra" para firmar o lugar do cinema alemão na paisagem cinematográfica mundial.

"Perfume" é a história sinistra de Grenouille, um solitário amoral nascido em 1738 num mercado de peixes parisiense e dotado de um olfato extraordinário.
Ele se torna perfumista, Dustin Hoffman faz o papel de seu mentor, e desenvolve a obsessão de criar o perfume perfeito.Para isso, Grenouille, representado pelo relativamente desconhecido Ben Whishaw, de 26 anos, assassina garotas bonitas para roubar seu cheiro. Sua vítima mais desejada é a filha de um mercador, representado por Alan Rickman.
- O maior desafio foi criar um herói que age calculadamente para realizar seus objetivos, mas que consegue conservar a simpatia do público, mesmo assim - disse o diretor Tom Tykwer, comparando o personagem principal a Hannibal Lecter, de "O Silêncio dos Inocentes".
O clímax acontece quando Grenouille faz com que centenas de milhares de pessoas que vieram assistir à sua execução entrem em transe com seu perfume - uma cena que, segundo alguns críticos, remete a um comício nazista.
- Essa foi a cena mais difícil - disse Tykwer, que também dirigiu "Corra, Lola, Corra".
- Como fazer para mostrar centenas de milhares de pessoas que odeiam esse homem e se reuniram para vê-lo ser executado de repente mudando de idéia?
É Nesta trama, de violência, sedução e poder que poderemos compreender os aspectos filosóficos do filme ao demosntrar um caminho percorrido pela evolução da consciência de um ser humano que tem uma mente doentia, apaixonada e cientificamente capaz de produzir um saber que seja capaz de dominar uma totalidade de pessoas.
Acompanhada por um processo evolutivo natural, a consciência de Grenouille, avança até o climax fazendo-a atingir um patamar dialético-crítico que o faz descobrir de que nada vale todo o seu conhecimento se para tê-lo teve que destruir (matar) a única coisa que amou profundamente: “O Perfume” da Jovem camponesa vendedora de frutas que por acidente foi morta em suas mãos.
O Perfume, é original, arrepiante, instigante e, fundalmente, banhado de um perfume inesquecível.

Octavio S. S. Vieira Neto
Inverno de 2008

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da Estética Pós-moderna à Conceituação Hipermoderna: a era da hiperabundância socio-cultural e econômica na visão de Lipovetsky

Segundo o filósofo e professor da Universidade de Grenoble, na França, Gilles Lipovetsky, vive-se, hoje, a era da hipermodernidade.
O Mundo atual que se constituiu à volta dos seres humanos apresenta-se como um espaço e um tempo do hiperterrorismo, das hiperpotências, das hiperclasses, do hipertexto, da hiperinformação, do hipermercado, do hiperconsumo, do hipercapitalismo enfim, da hiperabundância de todas as coisas criadas pelo homem a partir da revolução epistemológica e científica da modernidade.
Contudo, apesar de se situar no núcleo deste frenesi do hipercapitalismo, os homens e mulheres hipermodernos encontram-se na mais profunda individualidade que a história jamais pode ver: situam-se em um vazio profundo de significações e significados que os fadam ao individualismo, à solidão e ao desespero do excesso. Como diz Lipovetsky, o homem hipermoderno está fragilizado pelo medo em uma era de exageros.
Afeitos a esta lógica da hiperabundância os indivíduos hipermodernos vêem-se bombardeados por uma infinidade de informações, serviços e objetos que os tornam ilimitados em seus desejos. A lógica do ter sobressai-se em relação à lógica do ser o que demarca a fragilidade de sua existência diante do mundo hipercapitalizado.
Ora, se na primeira modernidade, a partir do século XVIII, inventou-se o individualismo, a democracia e o mercado livre, nesta nova era da modernidade, se instituiu o hiperindividualismo e o hiperconsumo. Não mais o individualismo limitado pelas ideologias, pelas diferenças sexuais, pelo papel da igreja, pelo papel do estado na economia, mas, agora, um hiperindividualismo que imerso na sociedade de consumo torna-se ilimitado, com os indivíduos cada vez mais senhores de sua própria existência em todas as categorias da população: jovens, homossexuais, mulheres. Ou seja, o hiperindividualista é mais responsável pela sua própria existência. Ele tem menos proteção coletiva, das instituições. Ele está mais entregue a si mesmo, o que implica ter de se buscar a si e se auto-inventar. Ele passa a ser vítima da era dos exageros: do hiperconsumo. Por isto está mais frágil no hipercapitalismo.
Este fenômeno pode ser entendido com a invasão das novas tecnologias da informação no seio da família, da escola e das instituições organizadoras da sociedade. Pois os telefones celulares, os computadores, os nootbook’s, os aparelhos de CD/DVD, as televisões de plasma, a internet, os Ipod’s, os modems móveis G3 e toda sorte de tecnologias ressignificam o espaço e tempo dos indivíduos na atualidade. O contato dos hiperindivíduos com as novas tecnologias da informação promove o uso do tempo e espaço de forma diferenciada, sem padrões ou modelos a seguir. Qualquer pessoa pode tornar-se escritor, cineasta, crítico de cinema ou design com alguns cliques na internet. Ou seja, para que o hiperindivíduo tornar-se expert em alguma coisa depende de seu desejo em conhecer algo, do seu reinventar-se e de sua possibilidade criativa. Além deste efeito, as tecnologias da informação, permitem aos indivíduos fazerem uso de seu espaço e tempo de forma individualizada. Pois a internet, por exemplo, permite se estabelecer contatos com outros indivíduos, mundo afora, e no momento que se quiser.
Neste contexto, o hipermundo tornar-se-ia um espaço e tempo sem ideologias, sem fronteiras, sem regras, sem limites, uma sociedade do hiperconsumo e, talvez como alguns pessimistas diriam, uma sociedade caótica. Lipovetsky não concorda com os pessimistas e ratifica a hipermodernidade que (...) por toda parte há uma sociedade dos livres serviços que se acentuou (...) devido à sociedade de consumo e agora mais ainda pelas novas tecnologias. Sociedade esta que se moderniza a cada instante em função de sua inventividade e criatividade.
Ora diante deste hiperdindiviualismo da sociedade hipermoderna, sociedade esta sem limites, afeita ao frenisi das novas tecnologias e à impulsividade do consumo instantâneo de informações imediatistas, de coisas efêmeras e de momentos de pura individualidade solitária, qual seria a possibilidade educativa uma vez que educar exige regras, limites, valores e metanarrativas? Ou de outra forma, como poder-se-á educar em uma sociedade em que os valores das metanarrativas são substituídos por valores individualizados que satisfazem as exigências do consumo desenfreado, da efemeridade e da hiperabundância? Enfim, quais caminhos percorrer para a efetivação de uma educação democrática e de qualidade na hipermodernidade?
A este respeito Lipovetsky apontará um paradoxo diante do hiperindividualidade. Pois os homens e as mulheres, mesmo afeitos à liberdade hipermoderna continuam tendo um certo autolimite e um número de parceiros sexuais limitado. Isso é interessante. De um lado, parece que tudo é possível, tudo é permitido e não é bem assim. Apesar dos indivíduos estarem voltados para o imediatismo do presente com o consumo associado a uma ética da felicidade que bombardeia, de um lado, o hiperindivíduo com uma loucura gerada por liquidações, lançamentos, datas festivas e, em contraponto, uma obsessão pela saúde em um comportamento crescente de preocupação com o corpo, cuidados com a alimentação, priorizando produtos saudáveis e de qualidade, muitos hiperindivíduos se mantém em uma posição de moderação e uma espécie de reequilíbrio.
E aqui se tem o ponto arquimediano para que se possa entender qual o papel da educação na hipermodernidade. Ou seja, perceber um ponto de moderação e reequilíbrio da hiperindividualidade significa dizer que talvez não se deva reproduzir o modelo da manipulação da alienação proposto pelas tendências pedagógica liberais da primeira modernidade. Mas antes viver numa sociedade em que ainda há normas muito fortes, mas que não tem um impacto considerável na existência dos hiperindivíduos. Pois imersos na cultura dos excessos o hiperindivíduo carece de substancialidade, fundamentação e critérios para discernir de forma crítica o que a hipermodernidade lhe apresenta de forma avassaladora: o excesso de informações.
Como aponta Lipovetsky: O hiperindivíduo ainda tem crenças e se entusiasma com as coisas. Não com todas as coisas ao mesmo tempo. É um erro completo de diagnóstico dizer que não há senão a técnica e a busca da eficácia e da competitividade. Essa é uma leitura heidggeriana do mundo moderno. Creio que é uma leitura parcial, porque ela esquece que se no mundo moderno há esse aspecto da técnica e competitividade, há também os valores humanísticos e democráticos. Esses valores podem ser mais ou menos fortes em determinado momento, mas de forma alguma eles morreram. E repito, a partida está longe de estar acabada. (...) as regras éticas permitem, na verdade, jogar o jogo. Se você trapacear, não vai poder jogar por muito tempo. A ética no mundo dos negócios tornou-se um fator muito importante em escala global para que o sistema possa funcionar.
Portanto, Educar no mundo hipermoderno é lembrar que mesmo dentro da hiperabundância de saberes, valores, técnicas há sempre uma necessidade individual em relembrar o já dito, manter-se em determinados valores e experimentar toda sorte de técnicas que o ser humano é capaz. Ao invés de se moralizar a educação com valores de conduta e nivelamento, com posicionamentos intelectuais tradicionalmente aceitos por décadas passadas e, sobretudo, promover a profanação da técnica em favor de padrões ideológicos impostos por profetas da sociedade, tem-se que valorizar a informação, a diferença, a individualidade, a abundância, a ética, a técnica e toda sorte de possibilidades da hipermodernidade. Pois de um simples e corriqueiro objeto tecnológico presente em todos os lares, mundo afora, a televisão, pode-se escravizar com valores de condutas e ideologias dominantes. Mas também poder-se-á extrair deste equipamento informações importantes que farão os hierindivíduos tornarem-se mais críticos, reflexivos e criativos.
A escola que queremos é a escola que na hipermodernidade torne o ambiente escolar afeito do hipermundo que faz parte do hiperindivíduo. Esta escola tem que tornar-se um fenômeno de hiperconsumo bem como todas as informaçãoes que nela estiverem contidas e que a ele chegarem com os hiperindivíduos. A escola que queremos é a hiperescola. Como dirá Lipovetsky a escola da paixão em que o hiperindivíduo se torne o hiperprotagonista e o hiperator da reinvenção e recriação de um novo espaço e tempo na história humana. Pois educar é proporcionar à história da humanidade que haja novos atores históricos (...) em um universo aberto. E essa ordem aberta pode ter a forma de uma sociedade desigual, uma sociedade democrática, ética, e com muita vontade de reinventar, recriar e requalificar os hiperindivíduos.
Verão de 2009
Octavio Silvério de Souza Vieira Neto