Vejam este vídeo que Viviane Mosé que discute questões relevantes sobre Filosofia, Educação e Cibercultura. Na minha opinião este documento é muito significativo em nossas pesquisas sobre Educação e Cibercultura no Brasil.
Olá Pessoal,
Estou divulgando esta série da TV Escola que abrange a discussão da relação da cibercultura com a educação na atualidade.
Vale a pena assistir por ser uma discussão compesquisadores de várias IES do Brasil.
Vocês já trouxeram alguns pontos interessantes do texto.
Vamos começar a refletir por partes!
A Primeira impressão importante e destacado pela Nívea é o fato de que o conhecimento filosófico admite "diferentes concepções de método com diferentes estudiosos". Este ponto é importante por ela (e também a Verônica e a Maria do Rosário) ter detectado a diferença das propostas epistemológicas de Platão e de Aristóteles.
Como vocês perceberam, Platão tenta minimizar um problema postulado pelos filósofos pré-socráticos (também chamados fisiologistas, ou físicos da natureza) que entendiam que o princípio (arché - ἀρχή: origem) que fundamenta a natureza só era possível ser conhecido em uma natureza em movimento (Heráclito -544-484 a.C.- "tudo flui") ou através do Ser como sendo "único, imutável, infinito e imóvel" (Parmênides -c.540-c.470 a.C.- "o ser é e o não ser não é").
Platão apontará que existem "dois mundos diferentes, o da ilusão [inteligível] e o da percepção [sensível]" (Nívea), sendo que o verdadeiro conhecimento encontra-se no mundo "das ideias [inteligível] onde tudo é perfeito, imutável [que] só o pensamento pode nos levar lá, [onde] podemos desconfiar do que os nossos olhos vêem" (Verônica). Para Platão, somente podemos conhecer a realidade no "mundo das ideias gerais, das essências imutáveis, que atingimos pela contemplação e pela depuração dos enganos dos sentidos" (ARANHA; MARTINS, 2003, P. 122).
Por isto, que a Luciana aponta que "Platão tinha idéias muito loucas, mas ao mesmo tempo com sentido lógico, pois, não é tudo que percebemos que é o verdadeiro, as pessoas [coisas] são só aparências escondem suas verdadeiras essências". Ou seja, para Platão as coisas do mundo sensível são cópias imperfeitas, aparências das ideias perfeitas que só podem ser conhecidas no mundo das ideias onde se encontram . Para que possamos conhcê-las temos que conhecer a luz da verdade.
Vocês conhecem bem esta dinâmica do conhecimento, uma vez que, Santo Agostinho (354-430) irá fundamentar os princípios do cristianismo com o pensamento de Platão (neoplatonismo de Plotino 205-270) quando "retoma a dicotomia platônica 'mundo sensível e mundo das ideias', mas substitui este último pelas ideias divinas" (ARANHA; MARTINS, 2003, P. 125). Ou seja, para o filósofo medieval, como escrevera em sua obra célebre "A Cidade de Deus" (De Civitate Dei) apontará como caminho da felicidade o mundo de Deus em oposição ao pecado presente no mundo dos homens, estabelecendo, assim, sua teoria da iluminação em que " recebemos de Deus o conhecimento das verdades eternas: tal como o Sol, Deus ilumina a razão e torna possível o pensar correto"(ARANHA; MARTINS, 2003, P. 125).
Ora, este não é senão o pensamento platônico? A teroria da iluminação de Agostinho tem os princípios do Mito da Caverna de Platão? O que vocês acham disto?
Assim podemos perceber que realmente a Nívea trouxe-nos um ponto importante quando cita a questão das "diferentes concepções de método com diferentes estudiosos" para se chegar a conhecimentos ora diferentes, ora parecidos, mas que carregam a marca de cultura do homem (mulher) que o está produzindo, como discutimos nos momentos anteriores.
Podemos perceber esta questão ao examinar o vídeo da filósofa Viviane Mosé que nos apresenta de forma áudio-visual (com a marca de seu espaço e tempo, de sua cultura) a perspectiva platônica e faz uma interpretação de Platão à "luz" do Mito da Caverna presente na obra A República de Platão.
Vocês haviam percebido desta maneira como lhes estou apresentando?
Vejam estes dois vídeos que lhes ajudarão a compreender o que dissemos e complementarão o vídeo de Viviane Mosé, explicando o Mito da Caverna de Platão
Volto mais tarde para discutirmos um pouco mais e trazer para a discussão as outras contribuições de vocês, tudo bem?
Referências:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2003.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2004.
Como vimos quantas possibilidades de entender o que é Filosofia, não é?
Bem, por ora, vamos entender como Filosofia a possibilidade que o ser humano tem de fazer uma análise-crítico reflexiva sobre si mesmo e sobre as coisas que estão à sua volta, na intenção de compreendê-las sistematicamente.
Também é importante que com esta breve significação do que seja a filosofia possamos distinguí-la da filosofia de vida: sequência de práticas adotadas por pessoas (ou instituições) para tornar a vida (a produção) mais agradável (produtiva) e feliz.
Vamos encerrar este fórum com a fala de Marilena Chauí quanto a utilidade da Filosofia:
“Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.”