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sábado, 19 de maio de 2012

Conversas Sobre Filosofia e Educação Ano 2: Filosofia da Educação e Educação (Discussões sobre Filosofia da Educação no Curso de Pedagogia a Distância da UAB/PPGE/UFJF em 2012) - Nietzsche e a Educação


Bom dia pessoal do GT2 sobre Nietzsche,

Estou aqui para trazer-lhes algumas informações sobre Nietzsche para enriquecer, ainda mais, suas considerações.

Nietszche, certamente, é o filósofo mais controverso que o ocidente já conheceu.
Desde moço, já se inquietava com a questão dos valores e conceitos universais e racionais que fundamentam a nossa sociedade e em sua maturidade disse a frase que marcaria sua filosofia e lhe traria o desprezo de muitos dos que não o entenderam: "Deus está morto". 

Isto não quer dizer que, por querer uma nova perspectiva para o ocidente, que Nietzsche seja um irracionalista. Ao contrário, o filósofo é sim um vitalista, um homem que fez uma crítica psicológico-moral e filológica (filologia é o estudo da linguagem) a todo o edifício lógico-racional do ocidente, entendendo o mundo como possibilidade de expressão de uma vontade de liberdade, uma vontade de potência que daria ao ocidente novas perspectivas (sua filosofia, além de vitalista, é perspectivista) de ser no mundo, de conhecimentos e de realidade. 

Por esta razão dizemos que Nietszche fez uma crítica radical à todo edifício de verdade (religiosa, filosófica e científica) do mundo como o conhecemos, como dizia, "uma filosofia à marteladas" que iria destruir todos os edifícios de verdade da razão ocidental.

Nietzsche, se posicionou contrário á toda a perspectiva de realidade que entendia que a única via para a verdade seria àquela inaugurada por Sócrates e Platão e que consolidaria toda a sorte de conhecimentos e de realidade do nosso mundo: a de que conhecer era estabelecer uma ordem, uma estabilidade, uma unidade ao mundo a partir do pensamento, da ideia, da razão (para Platão o ser é enquanto participar da ideia perfeita, do bem supremo no mundo das ideias). 

Para o filósofo, Sócrates (e depois Platão) exerceu um fascínio sobre seus concidadãos (e depois sobre toda a humanidade ocidental) por parecer um médico, um salvador que receitava bálsamos (remédios) para as almas (as consciências) aflitas que necessitavam se tranquilizar do caos, da desordem, da instabilidade, da multiplicidade, do mal (aqui mal tem uma significação moral ao contrário da palavra mau que tem uma significação técnica - o mau motorista por exemplo) próprias da vida contingente. Por isto, para Nietszche, Sócrates e Platão  foram os grandes moralistas da humanidade que impuseram uma "racionalidade a qualquer preço" aos seres humanos. Uma racionalidade que os impediriam de entender e viver a vida em toda a sua plenitude, movimento, instabilidade, criatividade. Ou seja, os filósofos gregos suplantaram o mundo da vida instintivo, dionisíaco, em devir em favor de um mundo intelectivo racional, apolíneo, cristalizado no valor de verdade absoluta, no bem supremo, que seria a marca do mundo, desde a Grécia Clássica, passando pelo mundo medieval cristão e se afirmando no iluminismo da modernidade. Mas Nietzsche questionará: Por que sempre a verdade?

Neste sentido, em termos pedagógicos, é que Nietszche nos traz uma grande reflexão acerca da educação. 
Ora, o mundo racionalizado do ocidente entende que a única maneira de ser e de viver é aquela que está presa aos valores conceituais e morais (do bem) estabelecidos pelo pensamento (cristão, filosófico e científico). Com isto há um nivelamento, uma igualização do ser, do sujeito, a padrões existenciais regulares, ordenados que levou, a educação, a aderir o que Foucault definiu mais tarde de sociedade disciplinar, uma sociedade de confinamento e disciplinarização para que todos sejam dóceis, iguais, morais e, sobretudo, emancipados, livres por participarem do bem, de um mesmo modelo de racionalidade, de sociedade, de cultura.

O que Nietszche, ao contrário, irá perguntar é: para que educar se toda a minha vontade de liberdade (vontade de potência e criatividade) estarão sob o julgo de uma vontade de verdade (de um único valor de verdade) e de uma má consciência ( a consciência de um bem supremo) que escraviza o homem (e mulher) em uma inelutável condição de rebanho, impedindo-o de agir segundo a sua vontade de potência, sua criatividade e diante do acontecimento e do devir da vida.

Para o filósofo, ao contrário desta lógica imobilizante, como apresentou Antônio Joaquim Severino no vídeo que assistiram, o papel da educação é libertar o indivíduo das amarras desta racionalidade que o restringe de ser "um além homem" (alguns dizem um super homem - übermensch, no alemão), um sujeito que deseja, que pensa, que cria, que vive a vida em seu acontecimento, em seu devir. O papel da educação, portanto, é o de despertar, o que tenho chamado de "sujeito poiético", um sujeito que, a partir de uma perspectiva ética, possa exercer sua vontade de liberdade, sua emancipação, criando e refletindo, criticamente, sobre os conhecimentos do mundo que nos cercam.

Talvez, esta seja a marca de uma nova perspectiva pedagógica para o ocidente: a que possa ressignificar/transformar a condição de subjetivação sujeito e sua própria condição de existência em nosso tempo para que, tal sujeito, possa ser o criador/inventor de novos saberes para a humanidade, um sujeito poiético, um artista da novidade conceitual da humanidade. 

Gostaram?

Para completar nossa reflexão, vejam o vídeo da série "Ser ou Não Ser" de Viviane Mosé, sobre Nietzsche:



Vejam, também, o vídeo sobre Nietzsche, dsicutido por Viviane Mosé, exibido no Café Filosófico no CPFL Cultura:





Abçs. 

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