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terça-feira, 22 de junho de 2010

Espaço, Tempo, Lugar e Território na Educação: uma breve reflexão


É imprescindível o debate sobre o espaço, o tempo, lugar e território na educação da atualidade, por ser esta uma discussão que tem um enorme caminho para ser implementada no seio das políticas públicas e políticas pedagógicas da educação, a fim de se possibilitar a ressignificação do espaço escolar, reinventar o tempo educacional, tornar o espaço em lugar e, consequentemente, significar lugares em território.
Como aponta Horn, um dos pilares para a discussão do espaço escolar como lugar de formação e transformação da autonomia da criança, é entender o espaço "(...) como um elemento curricular, estruturando oportunidades de aprendizagens por meio das interações possíveis entre as crianças e objetos e delas entre si" e que, para tanto, é necessário a reorientação das ações docentes no sentido de se abandonar a "(...) postura pedagógica de trabalhar para a criança e no assumir a de trabalhar com a criança" ou, ainda, como menciona Oliveira e Melo, "educar é guiar, é orientar".
Analisando estas observações fulcradas na perspectiva da sociologia da infância e na concepção de infância, como produtora de culturas infantis,  Oliveira e Melo ainda apontarão para o fato de que "(...) o desenvolvimento humano se dá em ambientes sociais estruturados, com seus valores, modos de ação e que, ao mesmo tempo, estão abertos às mudanças, a uma ressignificação de seus elementos  e a uma transformação de seus modos de ação" (Oliveira e Melo, 199, p. 75 )
Ora, são estas concepções pedagógicas apontadas acima que nos remeterão à discussão da transformação do espaço escolar em "lugar" e, consequentemente, em território e, também, nos farão ter um olhar clínico no tocante ao espaço e o tempo educacionais na prática cotidiana das escola. Pois, sendo o espaço escolar um ambiente social de desenvolvimento humano, os sentidos que atribuímos a tais espaços pedagógicos transformar-se-ão em espaços de ressignificação da autonomia infantil e de construção de culturas infantis. Como aponta Cunha (2008, p. 184), "a dimensão humana é que pode transformar o espaço em lugar. O lugar se constitui quando atribuímos sentido aos espaços, ou seja, reconhecemos a sua legitimidade para localizar ações, expectativas, esperanças e possibilidades. E conclui: "o lugar, então, é o espaço preenchido, não desordenadamente, mas a partir dos significados de quem o ocupa" (CUNHA, 2008, p. 185). O que decorre desta afirmação é que ao dar sentido ao espaço, que em nosso caso é o pedagógico, poderemos estabelecer o poder que temos ao significar criativamente o espaço e, consequentemente, torná-lo território, fazendo com que o espaço seja uma forma de expressão e projeção da essência humana, da criança pequena(CUNHA, 2008). 
Portanto, é fundamental que ressignifiquemos o espaço e o tempo escolares para que possamos tornar a escola lugar de subjetivações e de criação de sentidos, que, em última análise, poderá gerar a autonomia, criatividade, inventividade e a formação de verdadeiras culturas infantis e o surgimento dos talentos infantis. 
Veja o vídeo abaixo e reflita um pouco mais:
A Organização do espaco e do tempo na Escola

Video públicado pelo MEC - Ministério da Educação e do Desporto, no qual apresenta os PCN na Escola, demostrando o Convívio Escolar



Referências:

CUNHA, Maria Isabel. Os conceitos de espaço, lugar e território nos processo analíticos da formação dos docentes. Educação Unisinos. v.12. set.-dez., 2008. p. 182-186.
GURGEL, Thais. Quando a criança ajusta os ponteiros e descobre o tempo. Criança e Adolescente. n. 225. set., 2009.
HORN, Souza. O papel do espaço na formação e na transformação do educador infantil. s.d.
OLIVEIRA, Zilma de Moraes. MELLO, Ana Maria. et al. A organização do tempo e do espaço de atividades. In.: OLIVEIRA, Zilma de Moraes. MELLO, Ana Maria. et AL. Creches: crianças, faz de conta & Cia. 7.ed. Petrópolis – RJ: Vozes. 1992/1999. p.75-88.

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